Estamos
na reta final do congresso de jovens e hoje de tarde tivemos uma abertura no
programa com tempo livre para passear. Juntamente com os nossos amigos Augusto
e Mariana, decidimos aproveitar a tarde para visitar Belgrado. Fomos até à
estação de comboios, mas o comboio para Belgrado tinha acabado de sair. Ainda
fomos saber quanto era um táxi, mas a bandeirada de Novi Sad para Belgrado era
de 50€, o que consideramos demasiado, apesar de ainda ser uma distância de 96Km e 1 hora de viagem. Acabamos por ir de autocarro. Apanhamos um expresso que
levou 1h15min até à capital Sérvia. Para pouparmos nos bilhetes, compramos logo
de ida e volta.
Quando
chegamos a Belgrado, ainda no autocarro, confirmamos a estação com uma senhora
que se preparava para sair e que nos pareceu uma local. Mais tarde, já na rua,
a mesma senhora ofereceu-se para nos levar para o centro da cidade. Apesar de carregar
um pequeno trólei, andava que se desunhava, a um ritmo que nós os quatro
tivemos alguma dificuldade em acompanhar e ainda para mais, debaixo de um calor
intenso. A Olivera, de seu nome, foi uma simpatia e durante o percurso que
fizemos desde a estação de autocarros ao centro da cidade fomos conversando e
conhecendo-nos melhor. Ela mora no norte da Sérvia, em Subotica, quase na fronteira
com a Hungria e vinha visitar uns amigos a Belgrado. É formada em Chinês e Arqueologia,
mas trabalha na organização de eventos para crianças (www.lutfestsubotica.net). Tem um
irmão em Inglaterra e costuma viajar algumas vezes. Contamos-lhe a razão da
nossa viagem à Sérvia e falamos um pouco sobre o nosso país. Como se pode ver,
mantivemos uma conversa bastante aberta durante todo o percurso. Ao chegarmos
ao centro da cidade, quando nos despedimos, deu-nos o seu cartão de visita caso
viéssemos a necessitar de alguma coisa. Não podíamos esperar melhor receção na
capital Sérvia.
Agora
já no centro da cidade, partimos à descoberta das principais atrações. Tínhamos
cerca de 3 horas para conhecer Belgrado antes de voltarmos ao congresso e o
primeiro sítio que visitamos foi… uma loja de souvenirs! Ai compramos as
t-shirts da praxe e umas canecas. As ruas enchiam-se de gente que deambulava
pelas lojas, paravam para ver “street performers” ou então tomavam qualquer
coisa nas muitas esplanadas. A Olivera tinha-nos dito para visitarmos a fortaleza
de onde teríamos as melhores vistas para os rios Danúbio e o Sava. Foi para lá
que nos dirigimos, passando pelo posto de informação turística onde nos deram
um mapa da cidade e assinalaram alguns pontos a visitar. Munidos do mapa e dos
souvenirs, lá fomos explorar Belgrado.
Chegamos
à fortaleza onde existe uma exposição permanente (assim parecia) de material
bélico, utilizado durante várias guerras. Aqui tem alguma experiência nessa “arte”.
Tanques de combate de vários tamanhos para todos os gostos, artilharia antiaérea
e até um barco estão expostos à entrada da fortaleza, junto às muralhas. O
espaço é muito simpático e tem realmente uma vista fabulosa sobre os rios
Danúbio e Sava, os seus canais e até uma ilha onde dizem que fica uma das
praias de Belgrado. Os jardins circundantes à fortaleza são muito agradáveis e
esta é certamente uma das maiores atrações da cidade. A outra, segundo dizem, é
o templo ortodoxo de St. Sava que é considerado a maior igreja ortodoxa do mundo e consta entre a dez maiores
igrejas do mundo. Como fica na outra ponta da cidade, já não temos tempo para o
visitar. Mas havemos de cá voltar.
O
restante do tempo de que ainda dispomos é passado nas ruas a ver algumas peças artísticas
e artesanais que se exibem e claro, nas compras, atividade inevitável quando se
passeia em ruas de lojas com duas pessoas do sexo feminino. Ainda tivemos tempo
para comer um gelado pelo caminho na icebox,
para regalo de ambos os sexos. Eu comi um de chocolate preto e a Marisa um de
Snickers (sim, dos chocolates com amendoim) e foram sem dúvida os melhores
gelados da viagem até à data.
No
regresso ao autocarro, já apertados com a hora, ainda anos cruzamos com dois
rapazes Portugueses que estavam a começar o Interrail a partir de Belgrado. Já
na chegada ao centro, também já tínhamos encontrado duas raparigas lusas. Neste
dia estávamos por tanto, pelo menos 8 Portugueses em Belgrado.
Chegamos
à estação de autocarro às 19:30, mesmo a tempo de apanhar o autocarro que saia
a essa hora, pelo menos assim pensávamos nós. Mas pensamos mal porque aqui
existe um “processo” para se apanhar o autocarro. Sim… um “processo” o qual
passo a explicar. Quando se chega à estação não temos acesso direto ao
autocarro, estamos no exterior do local onde param as viaturas, separados por
uns torniquetes que são a última e penosa barreira entre o passageiro e o
veículo de transporte coletivo de… passageiros. Do lado de cá dos torniquetes
podemos ver o autocarro, ouvir o seu trabalhar e dizer adeus aos que partem,
mas para alcançarmos a viatura, há que passar pelo torniquete. Parece simples,
mas acontece que para passarmos pela geringonça é necessária uma moeda! Não de
dinares, mas uma moeda especial, do género das que se usavam antigamente no
parque de campismo de Monte Gordo para tomar duche de água quente. Para
conseguirmos a moeda, temos de ir à bilheteira mostrar os bilhetes, mesmo que
estes sejam de ida e volta, como era o nosso caso. No fundo não passa de um
ritual em que o passageiro se apresenta na estação e como que diz “Estou
presente. Quero apanhar o meu autocarro!”.
Perante
tamanha complexidade processual o resultado esperado foi demais evidente:
perdemos o veículo de transporte coletivo de passageiros! Ainda pedimos na
bilheteira para nos darem a moeda que depois nos desenrascávamos a correr ou
qualquer coisa, mas não, aqui quem chega em cima da hora fica em terra. Para
além de termos de esperar mais uma hora pelo próximo autocarro, ainda tivemos
de pagar mais alguns dinares para garantir o lugar. Agora que já conheço o
processo, uma vez que aqui estou aproveito para me informar dos transportes
para Ljubljana, Eslovénia, para onde vamos nos últimos dias da nossa expedição.
Para
fazer tempo, fomos passear até à estação de comboios, mesmo ao lado dos
autocarros e em seguida já viemos para o autocarro com bastante tempo de
antecedência, não fosse o processo de embarque demorado. Colocamos a moedinha
no torniquete e lá entramos para o parque das viaturas com um sentimento de
vitória de nos encher o ego.