Dia 29
e 30 de Agosto
Saímos de manhã em direção a Pretória, a
capital da República da África do Sul. Pelo caminho paramos no “Home Affairs” para a Marisa levantar um
formulário para fazer o pedido do “ID card” (bilhete de identidade). Assim fica
com passaporte e ID Sul Africano. Nunca se sabe quando pode dar jeito.
Chegamos a Pretória ainda de manhã e estava
imenso calor. Fomos diretos ao centro da cidade, até Church Square, onde estão
grande parte dos edifícios governamentais. Estacionamos o carro num parque
fechado ali perto e fomos a pé ao “Downtown”. Ao contrário do que contam sobre o centro de
Joanesburgo, aqui parece ser uma cidade pacífica. Anda muita gente na rua
(pretos e brancos) e todos muito ocupados. Em Church Square passeamos pelas ruas, fomos até à “Paul Kruger House”, que é um
museu, mas também estava encerrado para restauração.
Depois de termos caminhado
um pouco debaixo do calor, paramos no Caffe Richie,
um antigo café em Church Square, para tomar uma bebida refrescante. No centro
da praça, junto à estátua do Paul Kruger e nos jardins circundantes estava
muita gente deitada a apanhar sol e a descansar. Pena que não sejam mais
asseados, pois o local estava repleto de lixo por todo o lado, o que estraga a
sua beleza natural.
Fomos depois para as ruas de comércio, passando pelo famoso edifício Tudors Chambers,
de cor vermelha numa das esquinas de Church Square. Passeamos por ali,
visitando algumas lojas, até ao State Theatre,
um edifício gigantesco no centro da cidade, onde com certeza devem apresentar
grandes espectáculos.
Por todo o lado onde andamos, vimos grandes
edifícios governamentais. Afinal é são aqui as sedes de grande parte deles.
Também encontramos muitos museus e existe também em Pretória um dos grandes
Zoológicos do país. Toda esta variedade de atrações, reflete bem o caris
cultural que a cidade representa no contexto da África do Sul. Passeamos
durante um pouco mais de duas horas em Pretória, o que deu para ter uma ideia
da cidade, pelo menos no que diz respeito ao centro.
A nossa próxima visita foi ao Lion Park,
de volta a Joanesburgo. Segundo dizem, este é uma das maiores atrações
turísticas da África do Sul. A Marisa nunca lá tinha estado e quisemos ir viver
mais uma experiência junto dos animais, como se o Kruger National Park e o
Hlane Royal Park não chegassem!
O preço do bilhete não é simpático, mas como o
tipo de experiência que se têm aqui perto da cidade deve ser das poucas no
país, eles aproveitam-se. Entramos e começamos por visitar as jaulas do
Leões/Leoas pequenos(as). A visita aqui é interativa ao ponto de entrarmos na
jaula e andarmos por ali a fazer festas e a tirar fotografias aos leões. É
impressionante como estamos ali com eles, como se de gatos se tratassem.
Fazemos festas na barriga, nas orelhas e por ai fora. Pousam connosco para a
foto, enfim, é uma delícia. Mas não se enganem, pois continuam a ser animais
selvagens, ainda que pequenos, e às vezes ficam ariscos, principalmente ao fim
do dia quando é a hora de caçarem. Estes aqui não caçam, mas está-lhes nos
genes. Quando fazemos festas, temos de fazer com a mão estendida e sem dar
beliscões, porque eles podem interpretar como se os estiverem a morder. É um
momento muito especial que dura alguns minutos, pois não podem deixar as pessoas
estar ali muito tempo com os bichinhos.
Junto às jaulas dos leões também existe um
espaço com suricatas, leopardos, avestruzes, girafas e mais alguns animais. É
possível subir a um estrado alto e ficar mesmo junto da cabeça das girafas. Mas
para a atrairmos compramos um saco de comida que elas veem logo ter connosco. A
comida consiste em pequenos pedaços de erva seca, que mais parecem All-bran. Se
juntarmos leite, nem damos pela diferença. Bom, mas as girafas gostam disso
mesmo sem leite. Quando nos aproximamos com o saco, vêm logo uma dela ter
connosco e puxa da sua língua de “1/2 metro” e cai vai disto. Com a mão
colocamos a comida em cima da língua e ela vai metendo para dentro da goela.
Ficamos todos babados, porque aquilo é fios de baba a voar por todo o lado.
Lambe-nos as mãos, os braços e se nos descuidamos até nos dá uma lambidela na
face. Por muito desconfortável que possa parece e pouco higiénico, é uma
experiência que vale a pena. No final lavamos bem as mãos com detergente e
estamos novos. Bem analisados os factos, até levamos um tratamento de pele
natural.
Deixamos a zona onde os animais estão em
exibição e passamos para as áreas “selvagens”. O parque têm seis campos: quatro
com leões, um com chitas e outro com hienas; e ainda têm uma área maior, “small
game”, onde estão outros animais como zebras, impalas, etc. Visitamos os campo
no nosso carro e temos de manter sempre as janelas fechadas e obviamente não
podemos sair do veículo. Mesmo os carros que fazem as visitas guiadas do
parque, estão todos cobertos com rede. Passamos pelos campos todos e estivemos
muito próximos dos leões. Como ainda estava calor, estava toda a minha gente
refastelada nas sombras da árvores a descansar. Até lhes custava ter os olhos
abertos e nem reagiam aos carros que passavam. Ainda passeamos por ali um bom
bocado e tiramos umas fotografias interessantes. As chitas também estavam no
descanso e o mesmo com as hienas.
Por fim, demos uma volta na área do “small
game”, onde ainda tivemos tempo de fotografar algumas zebras entre outros
animais e terminamos a visita ao Lion Park.
Voltamos a casa e terminamos o dia com um belo
jantar, preparado pelo nosso amigo Daniel.
No dia seguinte de manhã fomos entregar o
carro ao aeroporto, pois terminava o período do aluguer. Terminada a volta
desde a cidade do cabo até Joanesburgo, passando por Durban, Suazilândia,
Maputo e Kruger Park, o conta quilómetros do carro marcava 4539 km’s.
Felizmente que correu tudo bem nesta aventura que fizemos e acreditem ou não, o
Citroen C1 não se queixou e nunca nos deixou ficar mal. Afinal os franceses não
são assim tão maus...
Da parte da tarde fomos passear com o Daniel
até ao East Gate,
um centro comercial, perto da zona onde a Marisa morava antes de ir para
Portugal. Em Joanesburgo, qualquer área de habitação tem um centro comercial.
Uns maiores outros mais pequenos. Por exemplo numa outra área, existe o North
Gate, veja-se a originalidade dos nomes dos centros comerciais.
De seguida passamos pela escola secundaria
onde a Marisa estudou, a Jeppe Girls. Os alunos
estavam a sair da escola e ainda têm o mesmo uniforme de à vinte anos atrás. Á
porta estavam seguranças, a quem nos dirigimos para pedir para visitarmos a
escola. Disseram-nos que não nos podiam deixar entrar, a não ser que falássemos
com alguém da secretaria da escola. Levaram-nos até um senhor a quem explicamos
a razão do nosso interesse. Depois de termos explicado que a Marisa estudou ali
à vinte anos atrás, o senhor ficou muito espantado e perguntou simpaticamente à
Marisa se ela queria voltar para a escola. Acabou por nos dar permissão para
entramos à vontade e para andarmos pelos corredores sem problema. Lá fomos
então reviver as memórias da Marisa. Fomos visitar algumas das suas antigas
salas, vimos o salão principal da escola, onde se reuniam todos os alunos de
manhã antes de começarem as aulas e andamos por todos aqueles corredores.
Tiramos fotografias dentro e fora dos edifícios. Esta escola tem mais de 100
anos, foi fundada em 1890 e segundo dizem, ainda é uma escola de referência em
Joanesburgo, só para raparigas.
Da escola seguimos pela rua que a Marisa fazia
todos os dias desde a sua casa. Quando chegamos á rua onde moravam, não
reconhecemos o prédio. Tivemos de voltar para trás no carro e ir com muita
atenção para descobrir qual o prédio onde moravam na Joules avenue, tal é a
degradação desta zona. Acabamos por ver o prédio que mantém a mesma estrutura,
mas com um aspeto “ligeiramente” diferente. Os resto-chão dos prédios foram
transformados em lojas que se multiplicam a cada quarteirão. A falta de tinta
nos edifícios e a sujidade nas ruas explicam bem a razão da nossa
desorientação.
Á noite fomos jantar fora com os nossos
amigos, Daniel, Cândida e Gabriela a um restaurante muito simpático em Fourways. Comemos uns bifes que são a especialidade da casa e pasta. Durante o
jantar tivemos música ao vivo e já no final uns rapazes estavam a tentar dar um
espetáculo de fazer cocktails, com garrafas pelo ar. Mas acabei por não ver
nenhum cocktail a sair.
No final do jantar estávamos tão cheios que
dava vontade de voltar para casa a pé, mas aqui não podemos fazer essas coisas.
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